A Ilha do Fogo, situada entre as cidades de Juazeiro e Petrolina
passou a ser administrada pelo Exército brasileiro desde Setembro de
2012, por decisão judicial. A partir de então, o acesso dos banhistas
ficou proibido e um grupo de estudantes, artistas e demais segmentos da
sociedade organizaram o Movimento Amigos da Ilha do Fogo para defender
que a visitação do espaço seja mantida.
Na última sexta-feira
(06/12), um Ato Público foi realizado na Orla de Juazeiro para chamar
atenção da sociedade e das autoridades locais para o livre acesso à
Ilha. No evento foi criado um Comitê Amplo de Lutas para ampliar e
definir as atividades do grupo. Para explicar um pouco mais das
atividades construídas pelo coletivo e seus objetivos, conversamos com
Stefan Mantu, um aposentado paulista que sensibilizado com a causa,
passou alguns meses na região do Vale do São Francisco engajado no
movimento.
1) Como surgiu o movimento Amigos da Ilha do
fogo?
Não estava na região nesse período (metade desse ano) mas
acompanhei de São Paulo esse processo. O Coletivo de Luta dos Amigos da
Ilha, criado em sua grande maioria por frequentadores da Ilha surge como
uma importantíssima reação à ameaça de invasão e fechamento de Ilha do
Fogo.
2) O movimento Amigos da Ilha continua
construindo atividades contra a ocupação do Exército à Ilha do Fogo.
Quais foram os avanços até agora?
Considero que a compreensão das
verdadeiras razões para a absurda invasão da Ilha do Fogo à partir das
denúncias da dep. fed. Perpétua Almeida PCdoB do Acre e dos protestos da
principal entidade nacional de arquitetura e Urbanismo, o CREA, nos
demos por conta de que o acordo da CODEVASF
com o exército
norteamericano (USACE) foi feito à revelia das autoridades nacionais
responsáveis pela autorização da presença de tropas estrangeiras em
nosso país. Para se lutar com possibilidades de vitória é fundamental se
compreender o quadro em que a luta se dá.
3) As pessoas
que defendem a administração do exército alegam o uso de drogas no
local. O que o Movimento Amigos da Ilha pensa a respeito?
Todos sabemos
que a Ilha do Fogo sempre foi um local privilegiado para o consumo de
drogas em função do abandono em que - principalmente de nossa juventude -
as autoridades responsáveis por sua administração a largaram. Esse
argumento absurdo tinha como objetivo - e de certa forma inicialmente
conseguiu - estigmatizar a todos que lutavam contra a invasão da Ilha.
Felizmente e com muito trabalho e paciência fomos desarmando essa
verdadeira ratoeira. A invasão da Ilha resolveu o problema das drogas
nas duas cidades? Claro que não! Droga é uma questão de saúde pública e
como tal deve ser tratada.
4) Vocês defendem que
as prefeituras de Juazeiro e Petrolina assumam a administração da ilha,
no que diz respeito a segurança, limpeza e estruturação. Como seria essa
divisão?
Essa não é uma questão que cabe ao Coletivo solucionar.
Apenas apontamos as responsabilidades sobre a Ilha. Existe um projeto do
Museu do Ribeirinho elaborado pela Univasf que consideramos
extremamente importante e deve ser realizado na própria Ilha.
5)
Na ultima atividade o grupo parou a orla de Juazeiro para chamar a
atenção da sociedade. Qual a avaliação desta ação? Ela alcançou seus
objetivos?
Não paramos a Orla de Juazeiro, o trânsito foi
desviado sem provocar transtornos à população. Eu considero essa
atividade do Ato Público extremamente importante para que as duas
cidades tomem consciência das questões que estão envolvidas nessa luta.
Como consequência desse Ato, nesse sábado criamos um Comitê de Luta
extremamente importante contando com a participação de sindicatos,
entidades de defesa do S. Francisco, etc. A nossa organização atinge
dessa forma um patamar bem mais avançado.
6)
Quais serão os próximos passos do movimento para tentar permitir o
acesso do povo à Ilha?
O principal passo foi a criação do Comitê Amplo
de Luta. As ações futuras vão ser discutidas e planejadas nesse
organismo recém criado.
7) Caso o acesso do povo à Ilha seja devolvido, o movimento pretende continuar de alguma forma?
Importante considerar que o movimento tem 3 reivindicações e o acesso à
Ilha é somente uma delas. O direito ao trabalho dos pescadores que com
suas famílias sobrevivem há mais de 30 anos da pesca e estão sendo
expulsos da Ilha é outra fundamental bandeira de luta nossa, aliás, a
1a. A suspensão imediata do contrato entre a Codevasf e o exército
norteamericano para uma profunda análise de seu conteúdo e a imediata
retirada dos soldados norteamericanos da região completam atualmente
nossas reivindicações.